Provocou espanto, deu o que falar e haja confusão depois de uma monumental tolice disparada pelo designer francês Christian Louboutin há coisa de quinze anos, quando seus sapatos vermelhíssimos começaram a se espalhar pelo mundo. “O que há de sexual em um salto alto é o arco do pé, porque é exatamente a posição do pé de uma mulher quando ela tem um orgasmo”, disse em uma entrevista para um jornal britânico. Louboutin teve de recuar e pediu desculpa pela triste canelada misógina, e então um dos mais queridos objetos do vestuário feminino voltou a caminhar em paz, que bom. “O salto alto empodera as mulheres”, consertou o designer, desta vez de acordo com os passos... [Leia mais]
Provocou espanto, deu o que falar e haja confusão depois de uma monumental tolice disparada pelo designer francês Christian Louboutin há coisa de quinze anos, quando seus sapatos vermelhíssimos começaram a se espalhar pelo mundo. “O que há de sexual em um salto alto é o arco do pé, porque é exatamente a posição do pé de uma mulher quando ela tem um orgasmo”, disse em uma entrevista para um jornal britânico. Louboutin teve de recuar e pediu desculpa pela triste canelada misógina, e então um dos mais queridos objetos do vestuário feminino voltou a caminhar em paz, que bom. “O salto alto empodera as mulheres”, consertou o designer, desta vez de acordo com os passos atuais de comportamento.
Como medir o fenômeno de agora? Olhando para as passarelas e para as ruas, especialmente à noite, em festas. Despontou firme e forte nos desfiles da Gucci e, claro, da Dior. Celebridades como a princesa Kate Middleton e as modelos Hailey Bieber e Kendall Jenner adotaram o modelo no cotidiano. As brasileiras Marina Ruy Barbosa e Bruna Marquezine reforçam o status do acessório como escolha elegante para eventos formais. Não é lá muito confortável, insista-se, exige algum equilíbrio, mas e daí? É peça que, em 2033, pode alcançar faturamento global de 57,8 bilhões de dólares, algo em torno de 16% do mercado de luxo.
Adeus ao tênis, sapatilhas e mocassins? Não, exatamente, mas o clássico dos clássicos revive como sinônimo de presença e autoridade. “É a retomada do glamour, depois de um período exageradamente atrelado à busca pelo conforto”, diz Gabriela Silvarolli, da fabricante brasileira Corello. “Traz altura, alonga a silhueta e dá sensação imediata de confiança”, ecoa Guilherme Kfouri, diretor criativo da Alexandre Birman. Nada a ver, portanto, com a frase preconceituosa de Louboutin.
A história do salto alto começou no século XVII, usado por homens da aristocracia europeia, como o rei Luís XIV. O objetivo: servir como marcador social; só usava quem não precisava, de fato, trabalhar, pôr a mão na massa. Com a mudança nos códigos de masculinidade e as reinterpretações do poder, especialmente depois da Revolução Francesa, houve uma mudança de gênero no uso, e ele foi incorporado ao universo feminino, onde ganhou novos significados de elegância, sedução e poder.