Rodrigo Souza estava concentrado com a delegação da Ponte Preta em um hotel de Recife quando o celular tocou naquela noite de sexta-feira, 24 de maio, véspera do duelo contra o Náutico, pela sétima rodada da Série C. Do outro lado da linha era a esposa com uma notícia devastadora envolvendo o filho Davi, de sete anos.
- Minha esposa ia para o Rio de Janeiro, em um evento de família, e a gente viajou para jogar contra o Náutico. Aí na sexta ela me ligou e disse que ia levar o Davi para o hospital. Ele estava com quase 42 graus de febre, e o remédio não estava segurando - contou o volante da Ponte, em entrevista exclusiva ao ge.
Os primeiros sinais de... [Leia mais]
Rodrigo Souza estava concentrado com a delegação da Ponte Preta em um hotel de Recife quando o celular tocou naquela noite de sexta-feira, 24 de maio, véspera do duelo contra o Náutico, pela sétima rodada da Série C. Do outro lado da linha era a esposa com uma notícia devastadora envolvendo o filho Davi, de sete anos.
- Minha esposa ia para o Rio de Janeiro, em um evento de família, e a gente viajou para jogar contra o Náutico. Aí na sexta ela me ligou e disse que ia levar o Davi para o hospital. Ele estava com quase 42 graus de febre, e o remédio não estava segurando - contou o volante da Ponte, em entrevista exclusiva ao ge.
Os primeiros sinais de que Davi estava com a saúde debilitada surgiram com dores no pé:
- Chegou a dar febre, levamos no médico a primeira vez, achando que tinha quebrado. Ele tinha acabado de descer para quadra. Mas nada. Os dias foram passando, e a gente foi controlando a febre com remédio, tentando levar a vida. Mas ele parou de comer, só queria ficar deitado, não queria ir para a escola.
O novo diagnóstico foi de osteomielite, uma infecção do osso causada por bactérias ou fungos.
- A infecção dele estava em um nível muito grave, chegando no rim e no pulmão. Ele ficou 14 dias na UTI, com medicamento, antibiótico para controlar. Foi um período bem complicado que a gente passou.
Durante esse período, Rodrigo Souza, de 37 anos, se dividiu entre o compromisso com o lado profissional e o suporte que precisava dar para a família:
- Treinava e ia para o hospital. Ficava lá a tarde inteira, e voltava para casa para dormir e de manhã ir para o treino de novo. Era todo dia assim. Eu treinava e voltava para o hospital. Não comentei com ninguém no começo, depois fui me abrindo. Eu pensava que era ele quem estava lutando pela vida dele. Tudo que eu fizesse nem poderia ser comparado com o que ele passou. Minha esposa ficou 33 dias com ele no hospital.
Agora recuperando, Davi está aos poucos retomando a vida que tinha antes:
- Vou voltar a jogar futebol em breve. Já estou com saudade - comentou o garoto.
- Ele sempre foi bem ativo, ama futebol, assistir na TV, fica batendo bola para cima e para baixo. Você ver na situação que ficou, com problema de saúde, uma coisa muito complicada. Foi muito triste para todos nós - disse Rodrigo.
O volante também vive nova fase dentro de campo. No período em que o filho se adoentou, ele estava sem espaço na Ponte. Com Alberto Valentim, Rodrigo, que tinha entrado apenas duas vezes em campo na temporada e na reta final dos jogos contra Figueirense e Caxias. Por causa de questões físicas, ele passou o Paulistão em recuperação e foi estrear com a camisa alvinegra apenas em abril.
- Infelizmente na pré-temporada acabei me lesionando. Foi um processo que tive de passar para me fortalecer. Infelizmente não fiquei pronto para o Paulistão, mas já estava 100% quando a Série C começou. Com o Valentim eu não tive muita chance, mas estava ali focado no grupo, respeitava a opinião dele, respeitava também os meus colegas de posição. O bem deles é o bem da Ponte.
A situação mudou a partir da troca no comando. A estreia de Marcelo Fernandes à frente da Ponte Preta, contra o Itabaiana, pela 17ª rodada, também foi a primeira vez de Rodrigo Souza entre os titulares. E se tornou ainda mais especial pelo fato de ter entrado em campo acompanhado de Davi.
- O Marcelo foi franco comigo, disse que gostava do meu trabalho, que era importante e que contava comigo. Antes do jogo contra o Itabaiana, o Léo Oliveira pegou mais um jogo de suspensão, o Lucas Cândido sentiu dor no pé, e o Marcelo me chamou na véspera e disse que eu ia jogar. Aí eu entrei com o meu filho, e toda a família também estava acompanhando. Foi uma conquista para todos nós.
Rodrigo Souza também foi titular diante de CSA e Londrina nas rodadas finais da primeira fase, mas ficou fora do dérbi do último sábado, pela abertura do quadrangular decisivo, por causa de um incômodo muscular. Ele será reavaliado durante a semana para saber se terá condições de ficar à disposição contra o Brusque, no domingo, às 19h, no Majestoso.