Entre mulheres de 25 a 45 anos, sobretudo, indicam pesquisas recentes, o ajuste ganha contornos próprios. A geração que viu o vinho se consolidar como símbolo de relaxamento feminino — a taça ao fim do expediente, o ritual doméstico de recompensa — começa a interrogar essa naturalização. Dormir melhor, preservar a saúde hormonal, manter desempenho profissional e evitar a fadiga mental entram na equação. O problema não está apenas no excesso físico, mas na perda de controle da própria rotina. Autonomia é manter o domínio sobre as próprias escolhas, inclusive as sociais. Em uma geração que fala constantemente de liberdade — sexual, profissional, identitária —, a ideia de que a autonomia passa por pequenos hábitos diários ganha dimensão especial. Se o álcool interfere no sono, no humor ou na coerência entre intenção e ação, ele deixa de ser apenas lazer.
O debate se torna mais complexo quando cruzado com dados em torno de aspectos psicológicos. Levantamento da Vidalink, empresa de planos corporativos de bem-estar, apontou crescimento de 7,9% no número de jovens da geração Z, de no máximo 30 anos de idade, que utilizaram medicamentos para saúde mental em 2024, além de aumento de 6,6% no volume consumido. O cenário combina sobrecarga profissional, dupla jornada, hiperconectividade e baixa tolerância à frustração. Nesse contexto, o álcool pode operar como amortecedor emocional — em vez de enfrentar o desconforto, a pessoa opta por silenciá-lo temporariamente. É recurso antigo da humanidade, mas dadas as possibilidades de outras saídas, de outras modalidades de apoio, a embriaguez incomoda — e talvez por isso mesmo a estrada agora esteja sendo reconstruída. Beber, em alguns círculos sociais, é mais “feio” do que fumar maconha.