Os medicamentos agonistas de GLP-1 – hoje entre os mais discutidos no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 – parecem não funcionar da mesma forma para todo mundo. Um novo levantamento sugere que, quando o assunto é perda de peso, as mulheres podem ter vantagens quando usam as tais canetas emagrecedoras.
Para chegar ao resultado, os pesquisadores analisaram 64 pesquisas, com acompanhamento variando de 12 a 144 semanas. Em seis delas – que separaram os resultados por gênero e reuniram quase 20 mil participantes – as mulheres perderam cerca de 10,9% do peso corporal inicial, enquanto os homens tiveram uma... [Leia mais]
Os medicamentos agonistas de GLP-1 – hoje entre os mais discutidos no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 – parecem não funcionar da mesma forma para todo mundo. Um novo levantamento sugere que, quando o assunto é perda de peso, as mulheres podem ter vantagens quando usam as tais canetas emagrecedoras.
Para chegar ao resultado, os pesquisadores analisaram 64 pesquisas, com acompanhamento variando de 12 a 144 semanas. Em seis delas – que separaram os resultados por gênero e reuniram quase 20 mil participantes – as mulheres perderam cerca de 10,9% do peso corporal inicial, enquanto os homens tiveram uma redução média de 6,8%.
Os estudos incluíam diferentes medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1. A maior parte avaliava a semaglutida, comercializada como Ozempic
e Wegovy,
mas também apareceram ensaios com dulaglutida
(Trulicity
), liraglutida
(Victoza
e Saxenda
) e exenatida
(Byetta
e Bydureon
), além de combinações de insulina com agonistas de GLP-1, como insulina degludec/liraglutida e insulina glargina/lixisenatida.
Ao todo, os autores investigaram se diferentes características dos pacientes, como idade, raça, etnia, índice de massa corporal (IMC) inicial e níveis de hemoglobina glicada (HbA1c), alteravam a eficácia dos medicamentos na perda de peso. E o resultado sugere que a resposta ao tratamento foi bastante semelhante em praticamente todos esses grupos.
Ou seja, independentemente da idade, do IMC ou do controle glicêmico, os pacientes tendem a responder de forma semelhante ao tratamento. A exceção relevante foi justamente o gênero.
Segundo os autores, isso sugere que as “canetas” funcionam de forma relativamente uniforme em grande parte da população elegível para o tratamento, mas podem produzir efeitos mais intensos para o público feminino.
Ao mesmo tempo, os pesquisadores lembram que, mesmo em ensaios clínicos bem conduzidos, uma parcela dos pacientes não apresenta perda de peso significativa com esses medicamentos, o que reforça o interesse em entender quais fatores influenciam a resposta ao tratamento.
Entre as hipóteses levantadas pelos pesquisadores estão:
Ele chama atenção para outro ponto: a idade não apareceu como fator determinante da diferença. “Em outras palavras, o benefício observado no sexo feminino parece ocorrer independentemente da faixa etária, o que inclui também mulheres após a menopausa.”
O mecanismo exato ainda não está completamente esclarecido, mas algumas hipóteses fazem sentido do ponto de vista fisiológico. Uma delas envolve a própria composição corporal. “Como, em média, as mulheres pesam menos, quando a dose do medicamento é fixa elas acabam recebendo uma quantidade proporcionalmente maior por quilo de peso, o que pode aumentar o efeito”, explica Couri.
Outra possibilidade envolve fatores hormonais. De acordo com ele, pode haver uma interação favorável entre a ação do GLP-1 e o estrogênio, contribuindo para uma resposta maior nas mulheres.
Agora que o estudo constatou a diferença entre os gêneros, o autores destacam que ainda há muitas lacunas sobre como diferentes perfis de pacientes respondem ao tratamento.
A própria meta-análise traz algumas limitações importantes. Apenas uma parte dos ensaios clínicos incluídos analisou diferenças entre subgrupos de pacientes, especialmente por gênero e cor. Além disso, a grande maioria dos estudos teve financiamento da indústria farmacêutica, algo comum em pesquisas sobre novos medicamentos.
Outro ponto é que a análise considerou estudos publicados até julho de 2024. Por isso, alguns dos medicamentos mais recentes não entraram no levantamento. Um exemplo é a tirzepatida
(comercializada como Mounjaro
e Zepbound
), hoje considerada uma das terapias mais potentes para perda de peso.