O principal foco do estudo foi a chamada dilatação fluxo mediada (FMD, na sigla em inglês). Traduzindo: é um exame que mede a capacidade de uma artéria se expandir quando o fluxo de sangue aumenta – algo que acontece o tempo todo: quando subimos escadas, caminhamos mais rápido ou ficamos ansiosos, por exemplo. Sempre que o corpo precisa de mais oxigênio, o coração bombeia mais sangue e as artérias precisam se adaptar.
Quando essa resposta falha, e permanece prejudicada ao longo dos anos, pode abrir caminho para problemas como hipertensão, aterosclerose e infarto.
[Leia mais]O principal foco do estudo foi a chamada dilatação fluxo mediada (FMD, na sigla em inglês). Traduzindo: é um exame que mede a capacidade de uma artéria se expandir quando o fluxo de sangue aumenta – algo que acontece o tempo todo: quando subimos escadas, caminhamos mais rápido ou ficamos ansiosos, por exemplo. Sempre que o corpo precisa de mais oxigênio, o coração bombeia mais sangue e as artérias precisam se adaptar.
Quando essa resposta falha, e permanece prejudicada ao longo dos anos, pode abrir caminho para problemas como hipertensão, aterosclerose e infarto.
Metodologia
Para chegar aos resultados, os pesquisadores recrutaram 82 homens e mulheres, com média de 45 anos e índice de massa corporal na faixa de sobrepeso. Eles foram divididos em dois grupos:
Isso veio acompanhado de mais fibras (praticamente o dobro), mais vitamina C, mais potássio e aumento de cerca de 60% na ingestão de gorduras monoinsaturadas (as “gorduras boas”, abundantes no abacate).
Resultados
Um dos pontos interessantes é que a função vascular melhorou.
Enquanto o grupo controle apresentou uma queda na capacidade de dilatação das artérias ao longo das oito semanas, o grupo que consumiu as frutas teve um aumento de aproximadamente 1%. Pode parecer pouco, mas estudos indicam que cada aumento de 1% nesse marcador pode representar uma redução relevante no risco cardiovascular ao longo do tempo.
Entre os homens, também houve uma tendência de melhora na pressão arterial.
Glicose e colesterol
Um ponto curioso do estudo é que a glicemia (açúcar no sangue), praticamente não se alterou. Ou seja: incluir abacate e manga todos os dias não foi suficiente, em oito semanas, para baixar ou aumentar a glicose de forma clara.
Os triglicerídeos, outro tipo de gordura circulando no sangue, também ficaram estáveis.
Já no colesterol houve um leve sinal positivo. O grupo que consumiu as frutas apresentou uma tendência de redução no colesterol total e no LDL (colesterol ‘ruim’), que em excesso pode se acumular nas artérias. Mas os próprios pesquisadores destacam que essa queda foi discreta e estatisticamente fraca.
Outro dado importante é que o peso não mudou de forma relevante, mesmo com a inclusão diária de um abacate inteiro. Na prática, isso ajuda a desmontar a ideia de que comer abacate inevitavelmente leva ao ganho de peso.
Por que isso importa para quem tem pré-diabetes?
O pré-diabetes é uma fase silenciosa, mas já marcada por resistência à insulina e inflamação crônica de baixo grau. Nesse estágio, o endotélio, a camada interna dos vasos sanguíneos, começa a sofrer. Melhorar sua função pode ser uma forma de interromper uma cascata que leva tanto ao diabetes tipo 2 quanto a doenças cardiovasculares.
Os pesquisadores reforçam que o grande mérito da estratégia é a simplicidade: em vez de dietas complexas ou altamente restritivas, trata-se de aumentar a variedade e a qualidade das frutas consumidas.
Claro, o estudo tem limitações. O acompanhamento durou apenas oito semanas e envolveu um número relativamente pequeno de participantes. Além disso, parte da alimentação ainda dependia das escolhas individuais fora dos alimentos fornecidos pelo estudo.