Da amizade com Salvador Dalí, destaque-se, é que nasceram os modelos mais extraordinários de sua trajetória — e talvez do século XX. Da parceria entre os dois brotaram o vestido-esqueleto; o chapéu em forma de sapato usado de cabeça para baixo; a bolsa-telefone; e, talvez o mais célebre de todos, o vestido lagosta de 1937. O modelo com o crustáceo pintado por Dalí, em diferentes versões, entrou para a história quando foi usado por Wallis Simpson, a mulher divorciada que levou o rei Edward VIII a abdicar do trono britânico.
Nascida em Roma, em uma família de intelectuais com raízes aristocráticas, parecia destinada a uma vida convencional. Não foi o que... [Leia mais]
Da amizade com Salvador Dalí, destaque-se, é que nasceram os modelos mais extraordinários de sua trajetória — e talvez do século XX. Da parceria entre os dois brotaram o vestido-esqueleto; o chapéu em forma de sapato usado de cabeça para baixo; a bolsa-telefone; e, talvez o mais célebre de todos, o vestido lagosta de 1937. O modelo com o crustáceo pintado por Dalí, em diferentes versões, entrou para a história quando foi usado por Wallis Simpson, a mulher divorciada que levou o rei Edward VIII a abdicar do trono britânico.
Nascida em Roma, em uma família de intelectuais com raízes aristocráticas, parecia destinada a uma vida convencional. Não foi o que aconteceu. Ainda jovem, escandalizou a família ao publicar poemas eróticos inspirados em uma ninfa grega. Como punição, foi enviada para um convento na Suíça — de onde saiu por conta própria, após uma greve de fome. Casou-se em 48 horas com um conde em Londres, mudou-se para Nova York, se separou, criou a filha sozinha e, no início dos anos 1920, instalou-se em Paris, no prólogo dos “anos loucos”.
Ali, em meio ao cotidiano frenético, rivalizou com ninguém menos que Coco Chanel. A disputa entre as duas é um dos capítulos mais ricos da história da moda — e quase uma batalha simbólica entre mundos opostos. Chanel defendia simplicidade, funcionalidade e uma sofisticação silenciosa. Schiaparelli preferia exagero, humor e teatralidade. A francesa se referia à rival como “aquela italiana que faz roupas”. “Schiap”, como era chamada, revidava chamando Chanel de “uma chapeleira que se leva muito a sério”. Chanel construiu um império comercial com peças práticas como o tailleur de tweed e o pretinho básico. Schiaparelli seguiu pelo imaginário com uma moda difícil de usar, mas impossível de ignorar, como revela a mostra londrina. E vale então lembrar uma das frases prediletas da interessantíssima figura do corte, costura e muito mais: “Em tempos difíceis, a moda é sempre ultrajante”.