Quando Emmanuel Macron surgiu no Fórum Econômico Mundial de Davos usando óculos aviador de lentes azuis espelhadas, o mundo da moda entendeu o recado antes mesmo da explicação médica. O presidente francês, em plena agenda global, parecia ter saído direto do filme “Top Gun”. A imagem, claro, viralizou: gerou memes, comparações com Tom Cruise e, mais importante, reacendeu uma tendência fashion que já vinha ganhando força nas passarelas: a volta dos óculos grandes — com foco especial no aviador oversized. No caso de Macron, oficialmente, o acessório tinha função de proteger um olho avermelhado por uma condição considerada... [Leia mais]
Quando Emmanuel Macron surgiu no Fórum Econômico Mundial de Davos usando óculos aviador de lentes azuis espelhadas, o mundo da moda entendeu o recado antes mesmo da explicação médica. O presidente francês, em plena agenda global, parecia ter saído direto do filme “Top Gun”. A imagem, claro, viralizou: gerou memes, comparações com Tom Cruise e, mais importante, reacendeu uma tendência fashion que já vinha ganhando força nas passarelas: a volta dos óculos grandes — com foco especial no aviador oversized. No caso de Macron, oficialmente, o acessório tinha função de proteger um olho avermelhado por uma condição considerada “inofensiva”. Na prática, porém, o efeito foi outro. O modelo, de estética clássica e presença maximalista, virou símbolo de atitude e fez com que o “Efeito Macron” fosse imediato – as ações de uma empresa ligada ao modelo usado pelo presidente dispararam, e o visual ganhou status de hit fashion. Em tempos de redes sociais, um líder político pode, sim, ditar tendências com a mesma força — ou até mais — do que celebridades.
Vale lembrar que a força do aviador não é nova. Criado para pilotos, o modelo virou ícone pop nos anos 1980 com Tom Cruise no primeiro “Top Gun – Ases Indomáveis”. Em 2022, com “Top Gun: Maverick”, as buscas pelo aviador dispararam no mundo todo, com crescimento expressivo nas vendas e nas pesquisas online. Naquele momento, o retorno tinha sabor de nostalgia. Agora, com Macron, o aviador ganha outra camada: poder, autoridade e estética de comando.
O movimento, no entanto, não se limita aos homens nem ao modelo clássico. As passarelas confirmaram com os óculos grandes surgindo em desfiles de marcas como Fendi, Valentino, Gucci e Miu Miu, que apostaram em armações amplas, lentes marcantes e proporções exageradas, transformando o acessório em statement de moda, muito além da proteção solar.
Historicamente, os óculos oversized sempre foram sinônimo de glamour e mistério. Nos anos 1950, Marilyn Monroe popularizou modelos maiores com pegada sensual. Audrey Hepburn eternizou o acessório como símbolo de elegância. Na década de 1960, Jacqueline Kennedy Onassis transformou os bug-eyes em armadura chique contra os paparazzi. Já nos anos 1970 e 1980, o exagero virou linguagem, com lentes degradê, armações grossas e estética de poder. Iris Apfel, tempos depois, fez dos óculos enormes sua assinatura pessoal.
Agora, em 2026, o oversized volta atualizado: mais gráfico, mais fashion e muito mais performático. Celebridades abraçam a tendência com entusiasmo. Victoria Beckham mantém o visual dark e poderoso com armações XL; Miley Cyrus aposta no drama e no exagero como parte de sua persona; e Harry Styles (sempre ele) mistura aviador, máscara e retrô, reforçando a fluidez entre masculino e feminino no styling contemporâneo.
Entre os homens, contudo, o impacto é mais claro. Depois de anos dominados por armações pequenas e discretas, o aviador grande volta como símbolo de virilidade, atitude e referência cultural. Macron, mesmo sem intenção fashion declarada, acabou se tornando catalisador desse movimento. Assim como Tom Cruise fez nos anos 1980, ele reposiciona o aviador como objeto de desejo, só que agora com selo político e institucional, um fenômeno que, aliás, não é isolado. Basta lembrar de Nicolas Maduro e seu conjunto da Nike ao ser preso pelo governo americano, que esgotou rapidamente nas lojas e online. Hoje, está bem claro que é além de atores, cantores e modelos, agora políticos também entram no jogo da moda como lançadores de tendências. E assim, nesse caso, reforçam uma ideia simples, mas poderosa: em tempos de imagem, presença e moda como narrativa, até um par de óculos pode virar ferramenta de poder e estilo.