Para chegar aos resultados, os pesquisares acompanharam mais de 330 mil pessoas por até três anos: cerca de 132 mil iniciaram tratamento com agonistas do GLP-1, enquanto outros 201 mil usaram sulfonilureias, uma classe mais antiga de antidiabéticos que serviu como grupo de comparação.
Entre as “canetas” analisadas, estavam moléculas como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. A maior parte dos pacientes, no entanto, utilizava semaglutida (66,13%), que respondeu por cerca de dois terços da amostra.
Resultados
O que os autores perceberam é que o efeito protetor desses... [Leia mais]
Para chegar aos resultados, os pesquisares acompanharam mais de 330 mil pessoas por até três anos: cerca de 132 mil iniciaram tratamento com agonistas do GLP-1, enquanto outros 201 mil usaram sulfonilureias, uma classe mais antiga de antidiabéticos que serviu como grupo de comparação.
Entre as “canetas” analisadas, estavam moléculas como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. A maior parte dos pacientes, no entanto, utilizava semaglutida (66,13%), que respondeu por cerca de dois terços da amostra.
Resultados
O que os autores perceberam é que o efeito protetor desses medicamentos não aparecem de forma imediata. Na verdade, esses benefícios são acumulativos. Pacientes que usaram o medicamento por menos de um ano e meio, por exemplo, não apresentaram redução significativa no risco cardiovascular.
Já aqueles que mantiveram o tratamento por períodos mais longos, especialmente por dois anos ou mais, começaram a mostrar benefícios consistentes. Entre os que permaneceram em uso contínuo ao longo de todo o acompanhamento, o risco de eventos cardiovasculares foi cerca de 18% menor em comparação com o grupo que usou sulfonilureias.
Mas o dado que mais chamou atenção foi o impacto de parar. Mesmo interrupções relativamente curtas já foram associadas a perda de proteção. Pacientes que suspenderam o tratamento por seis meses apresentaram aumento de risco em relação aos que continuaram usando.
E esse efeito foi progressivo: quanto maior o tempo sem o medicamento, maior o risco observado. Após dois anos de descontinuidade, o risco de eventos cardiovasculares foi mais de 20% maior em comparação com o uso contínuo.
Adesão e benefícios
Embora o estudo não tenha investigado diretamente os mecanismos por trás dos resultados, os pesquisadores apontam possíveis explicações. A interrupção desses fármacos costuma ser acompanhada de reganho de peso, aumento de marcadores inflamatórios e piora de parâmetros metabólicos, como glicemia, pressão arterial e perfil lipídico – fatores que, juntos, contribuem para elevar o risco cardiovascular.
Porém, fora desse cenário controlado, a dinâmica costuma ser outra. “Na prática, o paciente falta à consulta, interrompe o uso, às vezes utiliza de forma irregular…”, observa.
Nesse sentido, o endocrinologista chama atenção para a necessidade de alinhar expectativas antes mesmo da prescrição. “É importante deixar claro para o paciente que o uso desses medicamentos é contínuo. Isso vale não só para o controle da glicose, mas também para o peso, inflamação, gordura no fígado, proteção cardiovascular e por aí vai”.
Na prática, isso também envolve discutir viabilidade. “Se o paciente não tem condições de manter o tratamento, muitas vezes é melhor nem iniciar. São medicamentos de custo elevado, e o uso por curto prazo reduz muito o benefício, independentemente da molécula utilizada, seja uma semaglutida ou uma tirzepatida. Isso precisa ser conversado com clareza”.