Resultados
Os resultados indicam que o efeito não é uniforme e varia de acordo com o princípio ativo. No estudo, foram avaliados medicamentos à base de semaglutida (vendida sob os nomes comerciais Ozempic e Wegovy), liraglutida (Olire e Lirux), exenatida (Byetta) e dulaglutida (Trulicity).
Entre eles, a semaglutida foi a que mais se destacou. Os períodos de uso estiveram associados a uma redução de 42% no risco de piora da saúde mental em comparação aos períodos sem uso. A liraglutida também mostrou associação com menor risco, embora mais... [Leia mais]
Resultados
Os resultados indicam que o efeito não é uniforme e varia de acordo com o princípio ativo. No estudo, foram avaliados medicamentos à base de semaglutida (vendida sob os nomes comerciais Ozempic e Wegovy), liraglutida (Olire e Lirux), exenatida (Byetta) e dulaglutida (Trulicity).
Entre eles, a semaglutida foi a que mais se destacou. Os períodos de uso estiveram associados a uma redução de 42% no risco de piora da saúde mental em comparação aos períodos sem uso. A liraglutida também mostrou associação com menor risco, embora mais discreta, com redução de 18%. Já exenatida e dulaglutida não apresentaram diferenças significativas.
Na análise de desfechos específicos, a semaglutida foi associada à redução do risco de piora tanto da depressão (44%) quanto da ansiedade (38%), além de menor ocorrência de transtornos por uso de substâncias. A liraglutida, por sua vez, mostrou benefício apenas para depressão. Considerados em conjunto, os agonistas de GLP-1 também foram associados à redução de eventos de autoagressão ou ideações suicidas.
Para o endocrinologista Eduardo Couri, colunista em
VEJA Saúde
, os achados vão de encontro ao que outras pesquisas e a prática clínica já vinham sugerindo. “Não é o primeiro estudo que mostra benefício da semaglutida em transtornos de ansiedade e depressão. Ele vai ao encontro do que já se tem e também de um possível efeito benéfico no abuso de substâncias”, afirma.
Na avaliação de Couri, os mecanismos por trás da melhora na saúde mental podem envolver tanto a melhora global do estado clínico — por exemplo, o impacto positivo do controle do diabetes e da obesidade no bem-estar — quanto efeitos diretos dos fármacos. “A gente sabe que os agonistas de GLP-1 têm ação anti-inflamatória, o que pode impactar também doenças psiquiátricas. É uma via de mão dupla: a melhora da saúde global repercute na saúde psíquica, e vice-versa.”
Apesar disso, ele reforça que esses medicamentos não devem ser utilizados com finalidade psiquiátrica (ao menos por enquanto). “Ainda faltam estudos desenhados especificamente para isso. Mas, sem dúvida, é um achado bem-vindo e que deve ser investigado mais a fundo”, pondera.