Em alguns lugares do Brasil, costuma-se brincar que o melhor atendimento de saúde da cidade é a estrada rumo à capital. Uma brincadeira que não tem graça, mas, infelizmente, traduz a realidade de boa parte dos municípios do país. O nosso Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior sistema universal do mundo, mas ainda há uma distribuição muito desigual de profissionais nos territórios, o que acaba impactando no atendimento.
Outro dado que mostra o abismo da saúde entre as regiões é o número de estabelecimentos registrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde. Em 2025, o estado de São Paulo respondia por quase 1/4... [Leia mais]
Em alguns lugares do Brasil, costuma-se brincar que o melhor atendimento de saúde da cidade é a estrada rumo à capital. Uma brincadeira que não tem graça, mas, infelizmente, traduz a realidade de boa parte dos municípios do país. O nosso Sistema Único de Saúde (SUS) é o maior sistema universal do mundo, mas ainda há uma distribuição muito desigual de profissionais nos territórios, o que acaba impactando no atendimento.
Outro dado que mostra o abismo da saúde entre as regiões é o número de estabelecimentos registrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde. Em 2025, o estado de São Paulo respondia por quase 1/4 (24,3%) do total de estabelecimentos cadastrados no país, mais do que os 16 estados do Norte e do Nordeste somados (23,2%).
“Temos buscado modificar esse cenário de má distribuição de profissionais e, principalmente, vincular as iniciativas de ampliar acesso, de garantir atendimento para a população”, diz Felipe Proenço de Oliveira, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, em entrevista à coluna.
Segundo ele, estão sendo construídas mais 37 maternidades no país, com esse olhar para os desequilíbrios regionais. Não basta, no entanto, construir mais hospitais. “É preciso planejar e garantir uma formação de profissionais conforme a necessidade”, avalia.
“Ainda é um desafio conseguir diminuir mais a mortalidade nesse período neonatal, dos primeiros dias após o nascimento”, avalia Oliveira. De acordo com o secretário, ter um profissional especialista nessas áreas e em localidades que antes não tinham vai impactar nos índices de mortalidade neonatal e, consequentemente, na mortalidade infantil, por exemplo.
Em 2025, menos de mil (893) profissionais de enfermagem neonatal constavam no CNES. Desse total, a maioria (53%) está na região Sudeste. “O grande desafio hoje é qualificar a formação no SUS”, afirma o secretário.
De forma geral, a oferta de especializações em enfermagem neonatal no Brasil é limitada e desigual. Em 2025, o sistema e-MEC registrava 61 cursos no país. Desses, 58 eram privados e apenas 3 públicos.
Para reduzir o déficit de enfermeiros neonatais no SUS, o Ministério da Saúde vai qualificar 310 profissionais. As vagas serão ofertadas especialmente para regiões com menor número de profissionais: Centro-Oeste, Nordeste e Norte, especialmente na Amazônia Legal.
O Ministério da Saúde também tem investido na formação de mais especialistas para fortalecer a atenção obstétrica no SUS e, consequentemente, a saúde da mulher. “Essa é outra especialidade que estava muito concentrada em instituições privadas. Não havia uma oferta pública nem esse olhar para os desequilíbrios regionais”, diz ele.
* Jornalista e diretora da
Cross Content Comunicação. Há mais de três décadas escreve sobre temas como educação, direitos da infância e da adolescência, direitos da mulher e terceiro setor. Com mais de uma dezena de prêmios nacionais e internacionais, já publicou diversos livros sobre educação, trabalho infantil, violência contra a mulher e direitos humanos.
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