Uma campanha iniciada na Suécia, e que tem ganhado força nas redes sociais, propõe que as pessoas façam barulho contra usuários dos óculos Meta Ray Ban. A ideia é que ambientes como bares, academias e outros espaços coletivos sejam ambientes proibidos para o acessório, cuja segunda geração foi lançada por Mark Zuckerberg em setembro de 2025.
Simples: invasão de privacidade. Embora os óculos pareçam inofensivos – ele é igual a qualquer um, mas não TOTALMENTE, porque vem com câmera, microfone e conexão permanente com os servidores da Meta. Por isso, surgiram questionamentos sobre o paradeiro de imagens captadas por meio deles.
[Leia mais]Uma campanha iniciada na Suécia, e que tem ganhado força nas redes sociais, propõe que as pessoas façam barulho contra usuários dos óculos Meta Ray Ban. A ideia é que ambientes como bares, academias e outros espaços coletivos sejam ambientes proibidos para o acessório, cuja segunda geração foi lançada por Mark Zuckerberg em setembro de 2025.
Simples: invasão de privacidade. Embora os óculos pareçam inofensivos – ele é igual a qualquer um, mas não TOTALMENTE, porque vem com câmera, microfone e conexão permanente com os servidores da Meta. Por isso, surgiram questionamentos sobre o paradeiro de imagens captadas por meio deles.
Questionamentos bem sérios, vale dizer!
Em fevereiro, os jornais suecos Svenska Dagbladet e Göteborgs-Posten publicaram uma reportagem de fôlego mostrando o que acontece com as gravações feitas pelos Meta Ray-Ban depois que o usuário pressiona o botão ou aciona o assistente de voz.
Simplesmente, os colegas escandinavos descobriram que as imagens vão parar numa empresa terceirizada pela Meta, onde trabalhadores que treinam sistemas de inteligência artificial passam seus dias expostos a imagens de gente que nem sonha que foi filmada.
E aqui, pessoal, não estamos falando apenas de casos como o do humorista Paulo Vieira, que há alguns meses foi gravado sem saber enquanto comprava carne. São registros de quem está usando os óculos também, muitas vezes em momentos íntimos (inclusive vendo conteúdo adulto e trocando de roupa) ou realizando operações bancárias que expuseram dados sensíveis aos funcionários dessa companhia contratada pela Meta – o nome é Sama, e tem escritório em Nairobi, no Quênia.
O movimento BanRay
A campanha contra os óculos usa um jogo de palavras inteligente com o nome dos óculos: assim nasceu o movimento Ban Ray (eu, que não resisto a trocadilhos, devo dizer que AMEI). Num site disponível em catorze idiomas, do sueco ao swahili, do árabe ao hindi, passando pelo português, há informações sobre o acessório e a história completa da investigação da imprensa sueca.
Quem tirou a ideia do papel foi o designer Mateusz Pozar, de Gotemburgo. Ele criou adesivos para serem colados em portas de casas, bares e academias, sinalizando que a vigilância do Zuckerberg não é bem-vinda ali. “A ideia é conter a mais recente tentativa das empresas de tecnologia de monetizar cada aspecto das nossas vidas”, declarou ele, em seu perfil de Instagram.
Na esteira da repercussão negativa, a Meta divulgou num comunicado que “a menos que os usuários optem por compartilhar as mídias que capturam com a Meta ou outras pessoas, essas mídias permanecem no dispositivo do usuário” (o que os manifestantes do Ban Ray alegam que não é verdade). Porém, admitiu que “quando as pessoas compartilham conteúdos com a IA da Meta, às vezes, são contratados terceiros para analisar esses dados com o objetivo de melhorar a experiência do usuário”.
E o que você tem a ver com isso, leitor?
Bom, espero que a essa altura a ideia da invasão de privacidade tenha sido suficiente para explicar quão dramático é o caso. Porém, quero trazer aqui o pensamento de uma escritora americana genial chamada Shoshana Zuboff.
Tem um livro dela que vale cada uma das 600 e tantas páginas, chamado A Era do Capitalismo de Vigilância, em que ela argumenta que as gigantes da tecnologia têm um interesse estrutural em transformar a experiência humana em dado bruto — e que os wearables, dispositivos que se colam ao corpo e acompanham a vida cotidiana, representam a fronteira mais ambiciosa dessa jornada. O objetivo não é apenas vender óculos inteligentes, mas capturar comportamentos, emoções, rotinas e relações para alimentar modelos preditivos cada vez mais precisos e lucrativos.
Os óculos da Meta são, nessa leitura, menos um produto de consumo do que uma infraestrutura de coleta vestível. Em 2025, a Meta vendeu mais de sete milhões de pares de AI Glasses (além do Ray Ban, há também da Oakley) e como eles são extremamente parecidos com óculos de sol normais, passam batidos em quase qualquer lugar. Ou seja, pode haver imagens suas, minhas, nossas em algum lugar de Nairobi neste exato momento.
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