Você já teve uma ideia boa envolvendo IA. Sabe que daria para automatizar aquele processo chato, construir uma solução que nem passa pela cabeça o pessoal da firma, criar um método que ia poupar tempo da galera… E aí ficou nisso mesmo, só na vontade. Conhece o sentimento?
Provavelmente, a julgar pela pesquisa que eu trouxe hoje: 88% dos profissionais brasileiros dizem já ter pensado em criar algo com IA, mas não conseguem efetivamente realizar aquilo.
Pode ser um produto, uma automação, uma solução fora da caixa (sim, a expressão “pensar fora da caixa” voltou, e eu decidir usar aqui, leitor). Os dados são da escola de... [Leia mais]
Você já teve uma ideia boa envolvendo IA. Sabe que daria para automatizar aquele processo chato, construir uma solução que nem passa pela cabeça o pessoal da firma, criar um método que ia poupar tempo da galera… E aí ficou nisso mesmo, só na vontade. Conhece o sentimento?
Provavelmente, a julgar pela pesquisa que eu trouxe hoje: 88% dos profissionais brasileiros dizem já ter pensado em criar algo com IA, mas não conseguem efetivamente realizar aquilo.
Pode ser um produto, uma automação, uma solução fora da caixa (sim, a expressão “pensar fora da caixa” voltou, e eu decidir usar aqui, leitor). Os dados são da escola de negócios Conquer, que ouviu 500 trabalhadores de diferentes setores e regiões do país.
Comentei em outro texto aqui da coluna que 82% dos brasileiros já ouviram falar de inteligência artificial, mas 46% não sabem explicar o que é isso (segundo pesquisa Fundação Itaú/Datafolha). Pois esse levantamento da Conquer mostra outra camada – já que estou julgando as palavras enquanto escrevo, aproveito para dizer que “camada” está prestes a saturar.
Mas, ok, foco.
Segundo o levantamento da escola de negócios, 56,6% dos respondentes se definem como “usuários básicos”,
que recorrem ao ChatGPT ou ao Gemini para escrever textos, responder dúvidas ou gerar imagens, sem ir muito além disso.
Quer dizer: poucos sabem na prática o que é IA, e os que sabem (e inserem no dia a dia) empregam as ferramentas sem muita intimidade. Só 11,6% chegam ao nível de “construtores”
, ou seja, profissionais que de fato criam soluções ou desenvolvem aplicações estruturadas com apoio da tecnologia.
Claro, é preciso relativizar o fato de que a amostragem é pequena, com apenas 500 pessoas. Mas serve como pista para quem se preocupa com letramento em IA (no meu doutorado, proponho um conceito chamado literacia generativa, aliás).
Os entrevistados contaram que entre os empecilhos para concretizar seus projetos que envolvem IA estão cinco razões principais: falta de conhecimento técnico (41%), preocupações com segurança de dados (35%), dificuldade de escolher as ferramentas certas (32%), falta de tempo no dia a dia (28,2%) e ausência de incentivo das empresas (21,6%).
E veja só que cenário peculiar se desenha nessa pesquisa: 80% dos entrevistados acreditam que, nos próximos anos, quem apenas usa IA será substituído por quem sabe idealizar e construir com ela.
Pensei aqui com meus botões: a pessoa conta que tem ideias legais, não consegue executá-las, e de quebra sente que não conseguir construir coisas com IA coloca seu futuro profissional em risco.
Não é à toa que tanta gente tem usado ChatGPT para fazer terapia, minha gente. Mas NÃO façam isso, por favor! Na tsunami de ideias ruins que atingem a sociedade hoje, buscar suporte emocional em IAs talvez seja a pior delas.