Tem dias em que a moda acorda com gosto de hortelã. Não é metáfora, é quase sensorial. O look parece gelado, limpo, recém-saído de um comercial de pasta de dente, com aquele brilho meio artificial que, curiosamente, nunca foi tão chique. Se antes o armário flertava com pistache, tomate ou o amarelo-manteiga, agora ele escova os dentes e sai de casa dando boas-vindas ao “toothpaste dressing”.
A imagem que resume o momento? Dua Lipa em um vestido floral azul-esverdeado da Roberto Cavalli, combinado com botas mint — um look que parece ter sido mergulhado em um copo d’água com gelo. Fresco, direto, com um quê de fantasia pop.... [Leia mais]
Tem dias em que a moda acorda com gosto de hortelã. Não é metáfora, é quase sensorial. O look parece gelado, limpo, recém-saído de um comercial de pasta de dente, com aquele brilho meio artificial que, curiosamente, nunca foi tão chique. Se antes o armário flertava com pistache, tomate ou o amarelo-manteiga, agora ele escova os dentes e sai de casa dando boas-vindas ao “toothpaste dressing”.
A imagem que resume o momento? Dua Lipa em um vestido floral azul-esverdeado da Roberto Cavalli, combinado com botas mint — um look que parece ter sido mergulhado em um copo d’água com gelo. Fresco, direto, com um quê de fantasia pop. É moda que refresca.
Essa onda, porém, não nasceu do nada. O verde menta e os azuis glaciais vêm ensaiando protagonismo há algumas temporadas. Em 2026, o menta se mistura a jade, musgo e verdes botânicos mais sóbrios, enquanto os azuis ganham uma camada quase onírica. Nos desfiles de primavera-verão, aparece em capas transparentes na Chanel. Na Dior, surgem em vestidos estruturados que equilibram delicadeza e arquitetura. Já Simone Rocha leva o tom para o território da fantasia, quase de conto de fadas.
Ainda assim, ninguém se divertiu tanto com a ideia quanto a Chanel. Sapatos com ponteiras mint, bolsas em tons “espumados”, tricôs e tweeds que parecem saídos diretamente de um tubo de creme dental — tudo inserido em meio a vermelhos, dourados e rosas, criando um contraste tão inesperado quanto irresistível. É o tipo de cor que não só entra no look, mas muda o humor dele.
E o menta é democrático. Funciona em diferentes tons de pele, traz frescor sem cair no infantil e adiciona uma leveza que a moda vinha ensaiando recuperar. Depois de temporadas dominadas pela estética “clean girl”, quase clínica em sua neutralidade, há um desejo claro por mais narrativa, mais charme, mais jogo de cena.
Claro, não é a cor mais fácil do mundo. Existe sempre o risco de escorregar para o uniforme hospitalar ou para uma doçura excessiva. Mas é justamente no styling que mora o truque: misturar com tons terrosos, quebrar com alfaiataria estruturada ou inserir como ponto de luz — uma sandália, uma alça de sutiã à mostra, um detalhe inesperado.
Só entender que o “toothpaste dressing” não é só sobre cor, é sobre sensação. É sobre vestir algo que parece novo, quase gelado ao toque, em um momento em que a moda — e talvez a gente também — queira e precise respirar melhor. E, convenhamos, poucas tendências são tão literais: essa, além de tudo, ainda vem com um conselho embutido: sorria.