O mundo começa a colher uma nova safra de remédios para a doença de Alzheimer, com mecanismos de ação e ganhos clínicos inéditos diante de uma condição desafiadora que afeta mais de 57 milhões de pessoas globalmente. Depois do donanemabe, do laboratório Eli Lilly, que chegou ao país em 2025, os brasileiros poderão tirar proveito ainda este ano do lecanemabe, medicamento que é fruto de uma parceria entre as farmacêuticas Eisai e Biogen.
Após a definição do preço junto a Cimed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), as companhias anunciaram que o novo produto deverá chegar às farmácias no... [Leia mais]
O mundo começa a colher uma nova safra de remédios para a doença de Alzheimer, com mecanismos de ação e ganhos clínicos inéditos diante de uma condição desafiadora que afeta mais de 57 milhões de pessoas globalmente. Depois do donanemabe, do laboratório Eli Lilly, que chegou ao país em 2025, os brasileiros poderão tirar proveito ainda este ano do lecanemabe, medicamento que é fruto de uma parceria entre as farmacêuticas Eisai e Biogen.
Após a definição do preço junto a Cimed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), as companhias anunciaram que o novo produto deverá chegar às farmácias no fim de junho de 2026 – ele já foi aprovado pela Anvisa em dezembro de 2025.
O lecanemabe foi desenvolvido para combater uma das principais causas do Alzheimer, o acúmulo de placas beta-amiloide no cérebro que resulta na destruição de neurônios. Esse processo começa numa área relacionada a memória e outras funções cognitivas, daí os sintomas clássicos.
O remédio tem, segundo os fabricantes, um mecanismo de ação duplo. Não busca apenas remover as placas de beta-amiloide, que são tóxicas às células nervosas, como também neutraliza uma cascava de eventos que leva ao surgimento de novas placas e à progressão da doença.
Os ensaios clínicos com o lecanemabe apontaram uma redução de 27% no declínio cognitivo ao longo de 18 meses – benefício que foi mantido e, de acordo com os laboratórios, “resulta em mais tempo de memória preservada, independência e dignidade”.
Como é usado e quanto vai custar
O lecanemabe é administrado na veia em centros de infusão para garantir o devido acompanhamento do paciente e o manejo de eventuais efeitos colaterais. A dosagem varia de acordo com o peso do indivíduo. Uma dose é aplicada a cada duas semanas, perfazendo duas infusões mensais.
O preço final e oficial acaba de ser divulgado pela CMED. O custo mensal do tratamento endovenoso irá variar de R$ 8.108,94 a R$ 11 075,62, a depender das taxas e impostos por estado – esse valor considera a terapia para um paciente de 70 kg.
O valor leva em conta o que é praticado em outras nações, o grau de inovação e complexidade do produto e os benefícios clínicos apresentados nos estudos.
Por ora, não há expectativa de cobertura por planos de saúde ou entrada no SUS.
“Mas nosso maior compromisso é trabalhar para que o medicamento seja acessível ao maior número de pacientes elegíveis no Brasil. Lutamos para encontrar um equilíbrio entre um preço factível para a realidade brasileira e o valor intrínseco a uma terapia sem precedentes”, diz Tatiana Branco, diretora médica da Biogen no Brasil.