“O mais ambicioso jato executivo.” Assim a empresa francesa Dassault descreveu seu novo modelo Falcon 10X, lançado há poucas semanas. A pretensão faz todo sentido. Já apelidado de “mansão voadora”, o avião de luxo passa na frente de concorrentes com até quatro ambientes separados — um combo que pode incluir salas de reunião e de jantar, área de descanso e suíte privativa, conforme sugestão da fabricante. A aeronave comporta até dezenove passageiros, que têm à disposição camas de casal e chuveiros para um banho reconfortante nas alturas. “O objetivo é permitir que os passageiros vivenciem o tempo a bordo da aeronave como apenas mais uma parte de sua vida... [Leia mais]
“O mais ambicioso jato executivo.” Assim a empresa francesa Dassault descreveu seu novo modelo Falcon 10X, lançado há poucas semanas. A pretensão faz todo sentido. Já apelidado de “mansão voadora”, o avião de luxo passa na frente de concorrentes com até quatro ambientes separados — um combo que pode incluir salas de reunião e de jantar, área de descanso e suíte privativa, conforme sugestão da fabricante. A aeronave comporta até dezenove passageiros, que têm à disposição camas de casal e chuveiros para um banho reconfortante nas alturas. “O objetivo é permitir que os passageiros vivenciem o tempo a bordo da aeronave como apenas mais uma parte de sua vida cotidiana, e não um longo intervalo entre a origem e o destino”, disse o CEO da Dassault, Éric Trappier, no lançamento do novo modelo — avaliado em 440 milhões de reais. Preço, nesse caso, é o menor dos problemas: o Falcon 10X mira um nicho de poderio crescente no mundo, e para o qual o céu é sempre de brigadeiro e parece não haver limites — os super-ricos.
O novo jato ostentação da Dassault não é o único sinal de que o mercado da aviação de luxo vai bem, obrigado, apesar das turbulências que afetam o setor — a mais recente delas, claro, foi o disparo no preço do combustível para aeronaves, na esteira da guerra no Irã. Em 2025, a aviação executiva viveu um ano histórico, com número de voos 34% maior que os níveis pré-pandemia em 2019, segundo dados da WingX, consultoria especializada no ramo. A despeito do aumento do preço do querosene de aviação neste primeiro trimestre de 2026, a atividade de aviões executivos foi 11,3% maior do que no mesmo período de 2025, impulsionada por passageiros (ou pelos próprios donos desses meios de transporte) em busca de confiabilidade e ganho de tempo.
A tendência atinge não só o mercado de jatos executivos: a mítica primeira classe, que nas últimas décadas foi perdendo lugar para a executiva, agora ressurge nos voos comerciais com glamour sem precedentes. O maior exemplo vem da Air France, com seu recém-lançado serviço La Première. É uma experiência suntuosa do começo ao fim da viagem. Ainda na saída do hotel, um carro de luxo leva o passageiro até o Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, onde o felizardo desembarca em um lounge exclusivo com serviços de massagem e um cardápio assinado pelo chef Alain Ducasse, condecorado com 21 estrelas Michelin. O espaço é reservado apenas para os quatro passageiros da categoria em cada voo, e pode se tornar ainda mais individualizado com uma taxa adicional que dá direito a suíte privativa com escritório, mesa de jantar, TV, cama e um pequeno pátio próprio. Na hora de decolar, um Porsche Cayenne leva o passageiro à aeronave, evitando filas e contato com os simples mortais, no caso, os passageiros das classes econômica ou executiva. No avião, há poltronas de couro feitas artesanalmente, suítes com camas reclináveis e uma experiência culinária inspirada nos melhores restaurantes parisienses.
O voo dos sonhos já é realidade entre Paris e destinos internacionais como Nova York, Dubai, Tóquio e também o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo — tudo por um preço à altura de tantos mimos: cerca de 90 000 reais pela passagem ida e volta. Entre as cartas de vinhos e chocolates Pierre Hermé, o passageiro eventualmente se vê a bordo de um avião. Pois é disso que é feita a nova era do luxo aéreo: chique é não ser um viajante regular, nem ter de amargar perrengues nas filas e chás de cadeira no aeroporto, ou nas apertadas cabines. “O passageiro de luxo não quer surpresas. Quer ter privacidade e sentir que cada detalhe foi pensado para ele”, diz Rebecca Meadows, diretora da AirlinePros Brasil, consultoria internacional do setor. Quem tem dinheiro farto para mordomias agora pode dar asas sem freios a seus desejos.